domingo, 17 de maio de 2015

Número Sete

São 12h, em plena quinta-feira na Avenida Paulista. Anseio tanto sua chegada que mal consigo ver a cor do semáforo. Paro, olho para os dois lados, vejo toda essa gente , que diante do meu desespero tornam-se pequeninas e inúteis no meu caminho. A busca parece sem fim, meus membros congelam, consigo escutar meu coração ao pé do ouvido. Cada batida é um grito de angústia, cada passo é um chamado de socorro.

Por diabos! Me diga! O que é realmente proibido? O pecado realmente existe? Pois eu não acredito em nada... Estou cega. Além de cega, virei burra. Sim, B-U-R-R-A! Mas será? Ou simplesmente estou fazendo o que acho certo? O que é realmente certo afinal?

Deixando as profundezas para os peixes, decidi ser rasa, afinal eu preciso de um pensamento rápido, bruto, porém certeiro, não um certo para a eternidade e sim um certo para o momento, afinal; tudo se transforma e o sentido só existe para os olhos do instante agora, qualquer outra coisa é história...


Pois bem, aqui estou, mordendo os lábios e tentando não roer as unhas, já faz tanto tempo que não o vejo, será que criou barriga? Arrumou filhos? Adotou um cachorro? Não sei, o que sei é que ainda estou tremula, de pernas bambas, como no dia em que o abracei pela primeira vez, a sensação de culpa me morde o calcanhar, mas à essa altura do campeonato, nada mais me incomoda além de beber enquanto reparo nos ponteiros do relógio.

Enquanto admiro o som do saxofone que aquele pobre homem tocava para ganhar uns tostões, avisto a figura dele caminhando na minha direção. Santo Deus! É ele, com todos os detalhes que guardei na memória por esses amargos anos. Cabelos ao vento, olhos ligeiramente pressionados devido a luz do dia, andar escrachado e mãos no bolso.

Eu poderia jurar que parei no tempo se não fosse seus poucos centímetros a mais. É incrível como ele continua a mesma pessoa, é incrível como a cada passo que ele dava, meu corpo respondia com imensas ejaculações, eu mal conseguia respirar,entrei em pânico.

Abriu-me um sorriso largo, correspondi. Fomos para um parque ali perto, falamos da vida, de nossas evoluções e conquistas, mas não pude deixar de notar aquele olhar triste e fundo.Ligeiramente me pedia ajuda. Eu pude ver sua vida através do seu olhar. 

Segurei sua mão, e me permiti....Como na primeira vez que o vi. Acabou. A espera terminou ali, naquele aperto de mão. Estávamos entregues novamente, eu com medo e ele fodido.


Voltamos para a Avenida Paulista e ficamos sentados numa mesinha de boteco, que por sinal era o que tinha a cerveja mais barata. Nos perdemos em vários assuntos, coisas vagas, ingênuas, que as vezes boiava no copo de cerveja. Nos engolimos...O mundo parecia ter explodido ali. Por diabos! Tinha me esquecido de como esta entrega era boa, mas nunca me esqueci da primeira vez q nos tocamos nos lábios ou de como o calor da pele dele ainda me faz perder a estrutura, não só física, mas racional e emocional. Ele com uma vida já construída e eu apenas começando a minha; Esperar, desejar, querer morrer, acreditar, amar, amar, amar....Tudo ou nada. O que escolhemos diante desse cardápio? Número 7.


terça-feira, 5 de maio de 2015

Não tão distante assim

Não estavas consciente
Tampouco nós,
Mesmo assim, apertei tuas mãos,
E por um momento senti o sorriso em meus lábios
Despedi-me de ti, e os sentidos
Pareciam a todo momento
Querer fugir dali
Agora, já distante,
Com o coração rouco,
Sabendo que estás longe
Encontro teus passos,
Tua voz e teus atos em mim
E busco, assim, encontrar meu espaço
Nesse mundo agora, cinza e oco
Não tinha nada em mente
Quando, pela última vez, te vi
Mesmo assim, doeu-me o peito.
Aquele adeus foi tão abrupto,
Tão insuspeito...
Ainda não sei estar longe de ti,
Mas um dia aprendo
Um dia te reencontro
Um dia, talvez, o tempo
Se faça sentir
Passar por mim...