terça-feira, 6 de outubro de 2015

Paragem

Não importa quantas vezes mais terei que sair pegando pelos cantos meus pertences, minhas migalhas de sentimentos ou aquela calcinha desbotada que tanto gosto, para ter que partir novamente.

Me importo somente em aproveitar o máximo de cada lugar desconhecido, me entregar aos costumes para poder levar junto à minha bagagem todo o aprendizado.

Todo lugar tem sua cor, seu cheiro, seu gosto. Nesse lugar que me encontro agora, por exemplo, a cor é castanho, o cheiro é amadeirado e o gosto é sempre de quero mais.



Peguei-me observando e notei que na luz do dia o tal castanho se transforma em verde, o cheiro transborda eucalipto e o gosto é totalmente mentolado.

Aprendi a não me importar com os pertences, as migalhas e muito menos com a hora de partir. 

Eu só preciso saber que em algum lugar conquistei meu espaço e principalmente saber que poderei retornar sempre que as cores, os cheiros e os gostos de outros lugares não me complementarem mais.