terça-feira, 16 de junho de 2015

Mente Dubitável – Parte I

Tenho reparado no contorno de minha alma e o que vejo são os restos que me deixaram. Sempre quis uma vida completa; amigos, família; amores, um bom emprego e o mínimo de foco para me concentrar nos estudos que a sociedade exige...  Ilusão! Tudo que sempre tive foi ilusão e migalhas de sentimentos remoídos na chance de ser qualquer coisa.

  Talvez eu esteja tão vazia quanto esta garrafa de conhaque, para qual eu olho com pena. Assim como ela, fui tomada sem degustação. Acerto de contas, samba picado, desamor, consolo em gotas... Que seja, mas sei que não foi a gota, sei porque conheço meus poucos limites, minha idéia rasa que se faz profunda, meus medos e vontades.
     Foram tantos os beijos vividos e sonhados, que num suspiro  engasgado se perdeu no tempo, este cru, repleto de pudores que me traga, sou a carta na manga do malandro, perdida entres becos e o amarelado de teu abajur, sim; eu sou do tipo de pessoa que se perde nas tantas cores...
A cada trago engulo a dor que me dilacera, consigo enxergar na fumaça cada fincada que já levei, incontáveis são elas meu caro, mas se me perguntares de minha importância, direi que não há nenhuma.  Nem a maior das dores me afeta mais, ninguém é capaz de me sensibilizar. Aquela que um dia usou renda, hoje veste prata.

O prazer e o lamento de ser só são divinos. Viver e nada mais. Explorar egos distintos, saborear mentes doentes e absorver-me de corações puros sempre me pareceu um bom negócio. Uma pessoa sã de sua vivência deveria experimentar um pouco do que lhe digo. Refiro-me à desejo carnal e mental...Essa história toda de coração me dá náuseas, só de pensar durmo de tédio. 

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